Um pequeno extrato do Artigo ......
Notas sobre o Livro de Hebreus
Jairo dos Santos
jjsantos@portoweb.com.br

Hebreus 1:1- 4 - Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles. 

Conforme nos mostra o texto de Hebreus acima, Deus nos falou outrora muitas vezes de muitas maneiras, mas, nestes últimos dias, Ele tem nos falado pelo Filho. E nosso desejo é escutar o que Ele tem a nos falar através do Filho.

A Bíblia usa diferentes ilustrações para descrever um cristão, e o trigo é uma delas. O trigo, quando está maduro, ao invés de ficar ereto inclina-se. Isso descreve uma das características do cristão maduro: a humildade. Há ainda outro fato interessante relacionado com o trigo maduro: ele desprende-se do chão. Ao contrário de uma erva daninha, que é difícil de arrancar do solo, o trigo maduro é fácil de arrancar. Esse desprendimento do trigo maduro do solo nos descreve o caráter celestial do cristão.

Nós temos ouvido a respeito do reino dos céus e, à medida que nós escutamos essas mensagens, perguntamos a nós mesmos: qual é o tipo de cristão que vai desfrutar desse reino dos céus? Qual o caráter do cristão que estará no reino dos céus? Esse cristão terá de possuir um caráter igual ao do reino dos céus, terá que ser um cristão celestial.

A pergunta que nos ocorre é a seguinte: será que existe algum livro do Novo Testamento que nos fale como ter um caráter celestial? Será que existe algum livro no Novo Testamento que pode nos falar qual é o segredo da maturidade espiritual? Nós acreditamos que sim, e cremos que esse livro é a carta aos Hebreus.

O objetivo do presente artigo não é oferecer um estudo detalhado, versículo por versículo, da carta aos Hebreus, mas uma visão panorâmica que consiste em duas partes principais:

I - a quem a carta foi dirigida, o propósito da carta e divisões da carta.

II - o tema da carta aos Hebreus - que é a pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que ministra no santuário celestial; a pessoa e obra de Cristo - como é possível aplicar essa revelação da pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo como nosso Sumo Sacerdote na nossa vida espiritual.

Parte I - Os Leitores, o Propósito e as Divisões da carta

Os Hebreus

Por que é importante saber quem eram os hebreus, para quem a carta foi escrita? É porque a conversão de um hebreu não era a mesma coisa que a de um gentio. E compreender essa diferença permite-nos entender melhor o propósito da carta. Um gentio não tinha um conhecimento do Deus verdadeiro, ele vinha das trevas para a luz. Mas os hebreus já conheciam o Deus verdadeiro.

Quem eram os hebreus? Eles eram os descendentes de Abraão, o qual foi, na verdade, o primeiro hebreu, o primeiro que recebeu revelação de Deus. Foi Abraão que por fé e obediência à essa revelação deixou aquela cidade onde morava - cheia de ídolos - e foi para uma terra que Deus haveria de mostrar-lhe. Por causa da fé de Abraão, Deus prometeu que ele haveria de tornar-se uma grande nação, a nação dos hebreus.

Deus cumpriu a promessa que Ele fez a Abraão. A família de Abraão tornou-se uma grande nação, e essa nação foi escrava no Egito por 430 anos. Mas Deus lembrou deles e amou aquela nação, libertou-os da escravidão e redimiu aquele povo. Deus revelou a Si mesmo para aqueles hebreus, Ele revelou Seu caráter para aqueles hebreus. Deus revelou a Sua lei, revelou Seu tabernáculo, e revelou para os descendentes de Abraão o caminho pelo qual um homem pecador pode tornar-se qualificado para ter comunhão com o Deus vivo.

Essa revelação que Deus lhes deu tinha como principais características a lei, o tabernáculo e o sacerdócio. E isso, de acordo com a carta aos Hebreus, chama-se a primeira aliança.

Essa revelação que eles haviam recebido no princípio era divina, celestial, era real; todavia, com o passar do tempo, gradativamente essa revelação tornou-se um sistema religioso chamado judaismo. O povo de Israel desceu a um nível espiritual tão baixo que eles não reconheceram seu Messias quando Ele veio a esta Terra. Quando o Senhor Jesus Cristo veio à Terra, aqueles que deveriam tê-lo reconhecido não o reconheceram; mas isso não é tudo, pois eles o rejeitaram e, ainda pior, eles mataram o autor da glória em uma cruz vergonhosa. Mas nós sabemos que, graças a Deus, o Senhor não permaneceu na morte, o Senhor foi elevado às alturas e, a partir de então, inaugurou-se uma nova época do tratamento de Deus com os homens.

Anteriormente, na época dessa primeira aliança, Deus tratou com a humanidade por meio do povo hebreu, mas, depois da primeira vinda do Senhor, Deus iria tratar com a humanidade por meio da igreja. E a igreja, como nós sabemos, é constituída tanto de hebreus como de gentios, ou melhor, na igreja não há hebreus nem gentios, a igreja é Cristo em todos.

Quando o Senhor estabeleceu a Sua igreja, Ele enviou Seus apóstolos; da mesma forma Ele enviou os Seus mensageiros para os hebreus. Em Atos 21:20, nos é dito que havia dezenas de milhares de hebreus convertidos, está escrito que todos eles eram zelosos da lei. O que aconteceu bem no princípio é que não havia uma distinção clara entre judaismo e cristianismo; o cristianismo era visto como uma seita do judaismo. Por isso aqueles irmãos que haviam se convertido ao Senhor, ao Messias, estavam numa fase de transição. Eles confessaram o Messias como seu Senhor, eles amavam ao Senhor Jesus Cristo, mas, ao mesmo tempo, eles iam ao templo, eles consideravam aqueles sacrifícios que eram oferecidos; lá eles tinham a expectativa de que, de alguma forma, toda a nação de Israel viria a se converter ao Messias. E, embora aquele sistema - o judaismo - já não fosse mais aquilo que Deus havia revelado no início, já fosse um sistema religioso, não fosse mais aquela religião celestial que Deus tinha revelado para eles, ainda havia aqueles elementos verdadeiros. Afinal foi Deus quem havia dado a lei para o povo de Israel; foi o próprio Deus quem deu o modelo do Santuário, foi Deus quem lhes estabeleceu o sacrifício. Então aqueles cristãos hebreus tinham a esperança de que a nação fosse se converter.

No entamto, aconteceu exatamente o contrário, ao invés da nação se converter ao Senhor, os judeus passaram a perseguir os cristãos. E, para esses cristãos do primeiro século, de origem hebraica, converter-se ao Senhor Jesus Cristo significava perder as suas propriedades, ser considerado como um traidor da nação, significava perder os privilégios do templo, ficar excluído da primeira aliança.

Quando a carta aos Hebreus foi escrita, provavelmente já havia se passado 40 anos desde que seu Messias tinha subido para o céu. Eles estavam já há 40 anos esperando, 40 anos esperando pelo retorno do Senhor, 40 anos esperando que o reino fosse restaurado para Israel, mas ao invés do reino ser restaurado, cada vez mais a nação de Israel se distanciava do Senhor. E nós sabemos que não muito distante da época que esta carta foi escrita foi destruído tudo aquilo que representava o Judaismo. O templo foi destruído, a cidade de Jerusalém foi invadida, não sobrou nada em relação ao Judaismo, somente o cristianismo ficou. Aqueles irmãos de origem hebraica estavam exteriormente sofrendo por amor a Cristo.

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