Um pequeno extrato do Artigo ......

NOTAS SOBRE O EVANGELHO DE JOÃO

NARA SOARES PEREIRA

claudius@portoweb.com.br

 Ao estudarmos o evangelho de João penetramos em uma esfera diferente da dos outros evangelhos os quais são muito mais relacionados com a cronologia temporal humana e os aspectos da vida terrena do Senhor Jesus. Em João nós penetramos em uma esfera de coisas espirituais, onde a geografia não tem um papel fundamental, e o tempo cessa de ser um fator dominante. É a ordem espiritual da história que é exposta diante de nossos olhos, e essa ordem é o casamento em Caná da Galiléia, Nicodemos em Jerusalém e a mulher Samaritana no poço de Sicar.

Há duas verdades principais permeando o evangelho de João:

1) A primeira é a manifestação do Filho de Deus, a pessoa do próprio Cristo. Todo evangelho está afinado com essa ênfase principal e isso estabelece o seu próprio objeto. Assim, tudo está relacionado com a pessoa de Cristo: Eu sou o pão, Eu sou a ressurreição, Eu sou a vida.

2) A segunda verdade que permeia este evangelho é a união com Cristo: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus...(Jo 1:12). Deste modo, a natureza desse relacionamento é manifestada revelando que esta é uma união de vida que tem como base o nascer do alto.

O homem busca a Deus andando as cegas, nas trevas para ver se de alguma maneira apalpando O pode achar e assim descobrir as respostas para as questões: Quem é Deus? O que Ele sente? O que será para mim? E o Verbo é quem o declarou, quem disse os secretos de Seu ser íntimo e, ainda mais, permitiu que esses secretos se revelassem por meio de Suas palavras e Vida.

Em João 1:18 temos as palavras: Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito que está no seio do Pai, é quem O revelou. Este versículo conclui o prólogo dado pelo evangelista ao livro de João. Ele é uma introdução a tudo o que se segue. Aqui se tocam as três notas fundamentais: vida, luz e amor, que em diferentes combinações, vibram por todos os escritos do apóstolo João. Podemos ver em João 1 a 12 a vida e a luz dos homens, e do capítulo 13 ao 21 o amor até o fim. Ao combinar estas três palavras, o Senhor Jesus quer dizer que na comunhão espiritual com Ele nós devemos ter estas três coisas em igual medida, em equilíbrio. O que nós precisamos é vida equilibrada com luz e também amor em igual proporção, e Ele é a fonte de onde brotam esses três princípios espirituais. Ele é a porção que se dá a nós comunicando-nos vida, luz e amor. Assim, o que nós necessitamos é mais do Senhor Jesus. Esta é uma afirmação que vai à raiz de todas as coisas. Alguém pode dizer: Eu quero mais luz. Não, o que ele necessita é mais do Senhor. Outro diz: Eu quero mais amor. Não, ela precisa é mais do Senhor. Não são coisas, é Ele próprio que nós necessitamos e esse é o testemunho que nos é confiado através deste evangelho.

.O PROPÓSITO DO EVANGELHO

 O propósito do evangelho de João nos é dado através dos versículos 20:30-31 que também podem ser considerados como versículos-chave de todo o livro ao nos revelar a intenção do coração do evangelista: Na verdade fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Nós notamos aqui que João, guiado pelo Espírito Santo, fez uma seleção do abundante material que tinha à sua disposição (Jo 21:25) com um propósito em mente: 1) Criar uma convicção específica (para que creais) e 2) produzir uma experiência específica (para que tenhais vida em seu nome). Deste modo, conforme João, a revelação de Cristo é apropriada pela fé e desenvolvida através da experiência. João não quer apenas prover novas informações sobre Cristo, mas seu objetivo é conduzir seus leitores a uma posição de fé viva no Senhor e uma experiência de nova vida nele. Jesus é apresentado como o Cristo, o Messias das promessas do Antigo Testamento e como o Filho do Deus vivo, de maneira a criar fé no coração dos homens e a levá-los a tomar uma posição e a experiementar a plenitude da vida eterna. Isso não é feito por argumento ou por filosofia ou até mesmo por teologia, mas é concretizado através da manifestação de uma vida, a vida de Cristo.

 O PLANO DO EVANGELHO

 A estrutura do livro revela como o tema é desenvolvido. O objetivo de João é revelar de maneira mais objetiva possível o desenvolvimento paralelo da fé e incredulidade através da presença histórica de Cristo. O desejo de cumprir este propósito é o que orienta o evangelista na seleção, no arranjo e no tratamento do seu material.

O desenvolvimento da fé em Cristo e da incredulidade é descrito através de três idéias principais: revelação, rejeição e recepção. Primeiro há uma revelação divina, e então é mostrado que essa revelação deve provocar uma ou outra reação no coração dos homens: rejeição ou recepção. Todo o livro é estruturado em torno desses pontos: a revelação de Cristo e a reação dos homens em relação a ela. Essa reação nunca é neutra, mas sempre resulta na recepção ou rejeição do Senhor.

A introdução ou prólogo mostra como essas três idéias são apresentadas no livro: João 1:1-5 corresponde a revelação; os versículos 6-11 revelam rejeição e os versículos 13-21 estão ligados a recepção. Desta maneira o prólogo resume todo o evangelho.

João descreve paralelamente os efeitos da auto-revelação do Senhor no que diz respeito a fé e incredulidade. À medida que o Senhor se revela aos homens pode-se ver tanto uma crescente fé por parte de seus seguidores como um antagonismo, cada vez mais declarado, da parte de seus inimigos. O antagonismo culmina com a cruxificação e a fé com a ressurreição.

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