Um pequeno extrato do Artigo ......

Sansão
Jairo dos Santos
jjsantos@portoweb.com.br
Quarta parte da mensagen entitulada
BATALHA ESPIRITUAL: VISLUMBRE NO LIVRO DE JUÍZES

proferida na

      Conferência à Maturidade  de 04-08 de Janeiro de 1999 , 
Belo Horizonte

Juízes 13: 1-5 - Tendo os filhos de Israel tornado a fazer o que era mau perante o Senhor, este os entregou nas mãos dos filisteus por quarenta anos. Havia um homem de Zorá, da linhagem de Dã, chamado Manoá, cuja mulher era estéril, e não tinha filhos. Apareceu o Anjo do Senhor a esta mulher, e lhe disse: Eis que és estéril e nunca tivestes filho, porém conceberás e darás à luz um filho. Agora, pois, guarda-te, não bebas vinho, ou bebida forte, nem comas coisa imunda; porque eis que tu conceberás e darás à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe: e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus.

Nestas primeiras sessões da manhã, nós temos estudado alguns personagens do livro de Juízes. Hoje vamos ver juntos Sansão; aquele juiz que possuía longos cabelos. Eu acredito que todos nós conhecemos a história de Sansão. Sansão é aquele homem que tinha uma força impressionante, ele matou um leão, ele destruiu um exército; todavia ele não teve forças para resistir aos apelos de uma Dalila. Eu acredito que até uma criança saberia nos contar a história de Sansão.
 

O Chamamento de Sansão

Será que nós entendemos o significado da vida de Sansão? Sansão teve um chamamento muito sublime, como Samuel, como João Batista, mas o final da sua vida foi tão diferente do final da vida de Samuel, ou mesmo do final da vida de João Batista. Nós sabemos que Samuel foi aquele profeta usado por Deus para aquele período de transição, quando o povo de Israel ia passar da teocracia para a monarquia. Como resultado do ministério de Samuel, veio o reino, veio um rei. Da mesma forma João Batista. Naquele período tão importante, ele foi o precursor de nosso Senhor Jesus Cristo. Como o resultado do ministério de João Batista, veio o nosso Rei, veio o nosso Senhor Jesus Cristo.

Quando olhamos o final do ministério de Sansão, não dá para negar que ficamos um pouco desapontados. Ele morre cego no meio dos seus inimigos. Sansão havia sido levantado para ser um juiz de Deus, mas nós vamos ver que lá no final de sua vida, o povo de Deus continuava tão cativo quanto no início de sua vida. Então quando olhamos para este ponto da vida de Sansão, nós poderíamos nos perguntar: "Por que Deus coloca a história de Sansão na Bíblia? Por que a história dele é contada com tantos detalhes, tão elaborada"?

Na história da vida de Sansão existe um princípio espiritual, o Senhor quer nos ensinar através da vida de Sansão. Este princípio é o encargo que eu tenho para compartilhar com os irmãos. É o princípio da importância da vida de consagração a Deus como a fonte do poder espiritual no conflito com o inimigo.

A história de Sansão é contada nos capítulos 13 a 16 do livro de Juízes. Se lermos com cuidado essa porção das Escrituras, veremos que o Espírito do Senhor deixou uma espécie de estrutura ali. No capítulo 13, é narrado o anúncio do nascimento de Sansão, o chamamento dele para ser um nazireu de Deus, o ministério dele para trazer libertação ao povo de Israel, e o início do ministério dele, quando diz que o Espírito do Senhor começou a movê-lo. Neste capítulo eu acredito que podemos ver esse princípio da consagração como algo fundamental para o serviço espiritual.

Depois nós temos os capítulos 14, 15 e 16. Nesses capítulos acredito que o Espírito do Senhor dá uma ajuda para dividirmos esses capítulos.

Jz. 15:20 - Julgou a Israel, nos dias dos filisteus, vinte anos.

Jz. 16: 31 - Julgou ele a Israel vinte anos.

Vemos nesses dois textos expressões semelhantes, ou seja, que Sansão julgou a Israel por vinte anos.

Se lermos os capítulos 14 até 15:20, vamos perceber que certas coisas são enfatizadas ali. Eu resumiria numa só palavra: força. E quando lemos o capítulo 16, podemos resumi-lo também numa só palavra: fraqueza.

Nos capítulos 14 e 15, há uma série de eventos nos quais a força de Sansão é mostrada. É fácil guardarmos essa estrutura se considerarmos três pares de eventos:

I - Sansão mata um leão/ Sansão mata 30 filisteus

II - Sansão queima os cereais dos filisteus, as vinhas das olivais / fere os filisteus com grande carnificina;

III - Sansão arrebenta aquelas cordas que o estavam amarrando / Sansão mata mil filisteus com uma queixada de jumentos.

Nesses capítulos, nessa porção da história da vida de Sansão, nós descobrimos onde está o segredo da força daquele que é consagrado a Deus.

Finalmente, a última porção, o capítulo 16, podemos resumir também em três eventos:

I - Sansão vai numa cidade dos filisteus, vê uma prostituta e fica com ela; depois ele sai da cidade

II - Sansão conhece Dalila e, por três vezes, Dalila tenta descobrir qual o segredo da força de Sansão. Finalmente ela o trai e o entrega aos filisteus.

                    III - A morte de Sansão.

Eu acredito que nesse capítulo nós podemos ver as trágicas conseqüências quando um servo do Senhor negligencia esse princípio da consagração espiritual, a separação para Deus.

Leiamos Juízes 13: 4 e 5 a fim de vermos esse princípio da consagração como o caminho para o poder espiritual. O nascimento de Sansão foi anunciado por um anjo. Esse anjo foi até a mãe de Sansão, que era estéril e lhe diz:

Agora, pois, guarda-te, não bebas vinho ou bebida forte, nem comas coisa imunda. Porque eis que conceberás e dará à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha, porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus...

A palavra nazireu é a palavra que dá significado a toda a vida de Sansão; ela é como uma chave para entendermos a vida de Sansão. Sansão era nazireu. No livro de Números capítulo 6 está escrito o que era um nazireu. Nazireu era uma pessoa que havia feito um voto de ser separado para Deus de modo especial. Podia ser homem ou mulher, aquela pessoa tinha que ser consagrada para o Senhor e, durante o tempo de nazireado, durante o tempo daquele voto, essa pessoa deveria obedecer a algumas regras, às leis do nazireado. Essas leis encontram-se basicamente em Números 6: 1 a 8. Lá vai dizer que o nazireu é alguém separado para Deus, é alguém consagrado para Deus e, por causa disso, ele deveria abster-se do vinho e da bebida forte, bem como do fruto da videira e de outras coisas relacionadas com vinho, uva e videira.

Em segundo lugar, sobre a cabeça do nazireu não deveria passar navalha. Ele deveria deixar seus cabelos crescerem livremente.

Em terceiro lugar, o nazireu não deveria tocar o corpo de um morto, ele não deveria tocar o corpo de cadáveres.

Se lembrarmos da história do povo de Israel, veremos que já havia uma classe de pessoas consagradas para Deus. Essa era a classe dos sacerdotes. A tribo dos levitas era consagrada para Deus, para o serviço no tabernáculo. Os filhos de Arão eram consagrados a Deus para exercer o sacerdócio. Por que, então, surge a necessidade ou surge essa lei segundo a qual alguém que por livre e espontânea vontade decide consagrar-se ao Senhor e se submete a essas regras? Para entendermos isso, precisamos entender um pouco do contexto do livro de Juízes na época em que Sansão nasceu.

A época em que Sansão nasceu era a época do sacerdócio do sacerdote Eli; e naquela época o sacerdócio estava completamente arruinado. O que era um sacerdote? Um sacerdote era alguém escolhido por Deus, que deveria ministrar ao Senhor, que deveria representar os homens diante de Deus e representar Deus diante dos homens. Mas aqueles sacerdotes na época do sacerdote Eli haviam perdido completamente o motivo pelo qual eles haviam sido chamados. Ao invés de servir ao Senhor e a Sua casa, eles serviam a si mesmos. Ao invés de lembrar do Senhor Jesus Cristo, eles chamavam atenção para si mesmos. A função do sacerdote era uma só: lembrar da pessoa e da obra do Senhor Jesus Cristo. Toda vez que um sacerdote levava um cordeirinho para o altar, e o oferecia como sacrifício, ele estava apontando, indicando para aquele sacrifício perfeito que o nosso Senhor Jesus um dia iria realizar na cruz do Calvário. Toda vez que um israelita, criança ou adulto, via um sacerdote levando um cordeirinho, ele sabia que aquele cordeirinho inocente estava sendo vítima como expiação para os pecados. Da mesma forma o minstério do sacerdote.Toda vez que os israelitas vissem aquele sacerdote ministrando no Santo dos Santos, eles deveriam ter em mente que um dia viria o verdadeiro Sumo sacerdote; um dia viria o verdadeiro sacerdote que entraria nos céus na presença do Senhor e faria intersessão pelos nossos pecados e iria de uma vez por todas selar aquela união entre nós pecadores e o Deus santo.

Então, o sacerdote e o sacrifício deveriam lembrar o Senhor, eles deveriam apontar somente para o nosso Senhor Jesus Cristo, nada mais.

É impressionante como nos oito primeiros capítulos de Levítico aparece um sacrifício após o outro; depois disso, nos capítulos posteriores, surge então um sacerdote. Os sacerdotes deveriam indicar, deveiram apontar para o Senhor Jesus. Todavia, na época do sacerdócio de Eli, a qual coincide com o nascimento de Sansão, nós vemos que os sacerdotes haviam perdido as suas características, eles preservavam a forma externa, mas a realidade não estava mais ali. Então, nessas circunstâncias, quem é que Deus vai levantar para relembrar ao povo de Israel essa verdade tão importante da consagração?Um nazireu.

Sansão era um nazireu. Quando analisamos o porquê o povo de Israel caiu no cativeiro em que se encontrava naquela época, por que desde o início do livro de Juízes eles andam naquele ciclo de pecado, apostasia, arrependimento, por que eles caíram na opressão dos inimigos? É porque, da mesma forma que os sacerdotes, o povo de Israel havia esquecido o seu chamamento. Eles haviam esquecido que haviam sido chamados para serem separados para Deus. Eles haviam esquecido que haviam sido chamados para serem consagrados a Deus. Todo o fracasso do povo de Israel era o resultado de uma só coisa: Eles haviam esquecido da sua consagração. Eles haviam esquecido que eram uma nação de sacerdotes. Eles deveriam ser separados das demais nações para testemunhar para essas nações sobre o poder de Deus. E por causa desse esquecimento eles caíram em cativeiro, eles caíram sob a opressão do inimigo. Quando o Senhor Deus quis relembrar a nação de Israel que eles precisavam viver aquela vida de consagração ao Senhor, o Senhor levantou um nazireu: Sansão - o juiz dos longos cabelos.

O voto de nazireado de Sansão era um pouco diferente do voto de um nazireu comum. Um nazireu normal era nazireu apenas durante um período de tempo determinado. Ele se propunha a consagrar-se ao Senhor durante aquele período de tempo e, nesse período, ele vivia aquela vida para Deus. Todavia, depois disso, ele poderia viver como um israelita normal. Mas, no caso de Sansão, o seu nazireado era um chamamento, era uma vocação desde antes de seu nascimento. Não foi algo que Sansão tivesse feito, foi por graça e obra de Deus que Sansão foi separado para Deus.

Também vemos que o voto de nazireado de Sansão não era temporário, mas para toda a vida.

Através da vida de Sansão, Deus quer novamente lembrar ao povo de Israel o significado da consagração a Deus. Nós podemos nos perguntar: Será que existe alguma coisa em comum entre um nazireu, que é uma pessoa qualquer, e um sacerdote, que tem uma consagração oficial? Se observarmos quais os requisitos para o nazireu e os requisitos para o sacerdote, veremos que ambos são muito semelhantes. Em alguns casos os requisitos para o nazireu são mais estritos do que para um sacerdote. Por exemplo, um sacerdote também não deveria tomar vinho, mas somente quando entrasse para ministrar diante do Senhor. O nazireu, no entanto, não deveria tomar vinho durante todo o período de seu voto de nazireu. O que significa isso? É como se ele estivesse constantemente ministrando diante do Senhor. Da mesma forma, havia uma ordenança para não tocar no corpo de um morto. O sacerdote também não deveria tocar o corpo de um morto, mas havia uma exceção. Se um parente próximo do sacerdote morresse, ele estaria autorizado a tocar o corpo daquele morto.

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